terça-feira, 30 de março de 2010

Texto 4_O saber e o saber fazer dos professores

TEXTO 4

 

capítulo 6

O saber e o saber fazer do professor

 

Ana Maria Pessoa de Carvalho

Daniel Gil Perez

 

Desde o final da década de 70, a sociedade educacional brasileira discute, em suas várias associações, a formação de professores procurando nortear o que existe em comum nessa formação para os diversos níveis de ensino. Segundo Brzezinski ( 1996),

...quanto à consecução de uma formação inicial de qualidade, o Mo­vimento Nacional, em sua trajetória, procurou traçar uma pauta mínima e não um projeto acabado para apoiar o trabalho das experiências de reformulação curriculares que foram se efetivando. (p. 202)

Essa pauta mínima, também denominada de base comum nacional, está assentada em cinco eixos:

1)    sólida formação teórica;

2)    a unidade teoria e prática, sendo que essa relação diz respeito ao como se dá a produção de conhecimento na dinâmica curricular do curso;

3)    o compromisso social e a democratização da escola;

4)    o trabalho coletivo;

5)              a articulação entre a formação inicial e continuada.

 

Neste capítulo, vamos nos debruçar nos dois primeiros eixos da base comum nacional visando nos aprofundar no saber e no saber fazer dos professores das licenciaturas, isto é, nos saberes necessários para uma sólida formação teórica e nas relações teoria e prática que proporcionam as condições para o saber fazer dos professores que irão ensinar um determinado conteúdo (Português, Matemática, Historia, Física, etc.) na escola fundamental e média.

Podemos distinguir três áreas de saberes necessárias para proporcionar aos professores uma sólida formação teórica (Carvalho c Vianna, 1998):

·                     os saberes conceituais e metodológicos da área que ele irá ensinar:

·                     os saberes integradores, que são os relativos ao ensino dessa área;

·                     os saberes pedagógicos.

A cada um deles está relacionado um saber fazer, ou seja, uma relação teoria e prática - teorias diferentes requerem práticas diferentes.

6.1  Os Saberes Conceituais e Metodológicos da Área Específica

Quando trabalhamos com professores, quer nos cursos de formação inicial, quer nos de formação continuada e lhes fazemos a pergunta: "O que deve saber e saber/fazer um professor para ser um ótimo profissional" (Carvalho et Gil, 1993), sempre obtemos uma resposta em primeiro lugar: “ele deve saber o conteúdo que irá ensinar". Depois, se organizarmos uma discussão em grupo em que os professores possam discutir com seus colegas, muitos outros saberes vão sendo elencados, tais como: saber preparar as aulas, dirigir as atividades dos alunos; ter boa interação em classe, isto é, entender o que os alunos dizem e se fazer entender por eles, saber avaliar, escolher dentro do currículo apresentado pela escola o que é mais significativo etc. Mas os grupos de professores reunidos ainda ratificam que saber  o conteúdo a ser ensinado é o fator mais importante que caracteriza um bom profissional.

Mas o que é saber o conteúdo a ser ensinado?

Essa também é uma discussão bastante interessante a se fazer com os professores. A primeira fonte de conhecimento citada nas discussões é o livro-texto, mas será que basta conhecermos bem o conteúdo apresentado nos livros-textos universitários para sabermos preparar uma aula para o curso médio? Ou sabendo o conteúdo apresentado nos livros do curso médio estamos preparados para ensinar no curso fundamental? Será que o conteúdo a ser trabalhado nos cursos fundamental e médio deve ser o mesmo do superior, somente em um nível mais simples? O que significa "em um nível mais simples”?

Análises feitas nos livros didáticos para adolescentes têm mostrado que, na procura de "simplificar o conteúdo”, seus autores somente tornam estes muito mais áridos e difíceis que os usados por universitários (Castro, 2000; Espinosa e Carvalho, 1991). Na grande maioria dos livros didáticos para os níveis fundamental e médio, o conteúdo é apresentado através do encadeamento de uma série de conceitos, em uma seqüência lógica que nem sempre é explicitada, discutida e/ou justificada. Além disso, os conceitos são introduzidos a partir de suas definições, de suas equações matemáticas ou de seus gráficos, sem nenhuma descrição das necessidades intelectuais que levaram os cientistas a construí-los.

Todos os trabalhos de pesquisas existentes mostram a gravidade causada por uma carência de conhecimentos da matéria pelo professor, transformando-o em um transmissor mecânico dos conteúdos de livros textos.

Para que o professor possa fazer uma crítica fundamentada nos livros-textos e ao ensino tradicional, estando apto para inovações curriculares que estão acontecendo no ensino, ele precisa dominar os saberes conceituais e metodológicos de sua área, o que, para nós, - centrando-nos, a título de exemplo, na Educação científica -, significa (Carvalho e Gil, 1993):

- Conhecer os problemas que originaram a construção de tais conhecimentos e como chegaram a articular-se em corpos coerentes, evitando assim visões estáticas e dogmáticas que deformam a natureza do conhecimento. Se trata, portanto, de conhecer a história das ciências, não só como suporte básico da cultura científica, mas, principalmente, como uma forma de associar os conhecimentos com os problemas que originaram sua construção,  sem o qual tais conhecimentos aparecem como construções arbitrárias. Se pode, assim, conhecer quais foram as dificuldades, os obstáculos epistemológicos que se teve de superar, o que constitui uma ajuda imprescindível para compreender as dificuldades dos estudantes,

-Conhecer as orientações metodológicas empregadas na construção dos conhecimentos, isto é, conhecer a forma como os cientistas colocam e tratam dos problemas de seu campo do saber, as características mais notáveis de sua atividade, os critérios de validação e aceitação de suas teorias.

-Conhecer as interações Ciências/Tecnologia/Sociedade associadas a construção de conhecimentos, sem ignorar o frequente carater conflitivo dessa construção e a necessidade da tomada de decisão.

-Ter algum conhecimento dos desenvolvimentos científicos recentes e suas perspectivas, para poder transmitir uma visão dinâmica do conteúdo a ser ensinado.

-Adquirir conhecimentos de outras disciplinas relacionadas, de tal forma que possa abordar problemas transdisciplinares, a interação entre distintos campos e também os processos de unificação.

Temos consciência de que essa visão do que seja “conhecer o conteúdo que se deve ensinar" é inovadora para muitos professores e/ou futuros professores, pois são poucos os cursos de graduação em que encontramos disciplinas que discutam essas problemáticas e que façam uma estreita ligação entre o conteúdo es­pecífico e as reflexões históricas e filosóficas de sua produção.

Para essa área do saber - saber conceitual e metodológico do conhecimento específico -, a relação teoria e prática não é feita em relação ao ensino desse conteúdo, mas sim ao próprio desenvolvimento metodológico do conteúdo. Assim, por exemplo, para a Física, a prática é feita nos laboratórios de Física, para a História, a prática dos alunos é feita nas bibliotecas, nos museus e centros de documentação. A prática, ou o saber fazer, está intrinsecamente relacionada com a forma de produção do conhecimento na área.

Este é um ponto bastante importante na formação inicial e permanente dos professores, pois várias pesquisas têm mostrado (Tobin e Espinet,1989; Ostermann e Moreira, 2000; Terazzan et al, 2000) que a principal dificuldade para que os professores se envolvam realmente na implantação de propostas inovadoras é a falta de domínio das questões fundamentais do conhecimento. Nas duas últimas pesquisas citadas, onde procuravam introduzir conceitos da Física Moderna nas escolas médias, chegou-se à conclusão de que todas as formalizações matemáticas, que os professores em formação dominavam dessa disciplina, não foram suficientes para que eles pudessem ensinar os conceitos no nível médio.

Existe uma forte correlação entre "conhecer o conteúdo que se deve ensinar', isto é, o domínio do conteúdo pelo professor e como esse conteúdo deve ser trabalhado com o aluno, isto e, o conteúdo escolar.

Quando os professores conhecem o conteúdo que pretendem ensinar, abrangendo os cinco pontos que propusemos acima, ele terá condições de planejar um ensino que alcance o conceito de "conteúdo escolar" sugerido por Coll (1992). Propondo romper com um ensino centrado apenas na memorização mais ou me­nos repetitiva de fatos e na assimilação mais ou menos compreensível de conceitos e sistemas conceituais, este autor amplia o conceito de conteúdo escolar incluindo os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais e sugere que o professor planeje e desenvolva atividades de ensino que permitam que seus alunos trabalhem de forma inter-relacionada esses três aspectos do conteúdo.

6.2   Saberes Integradores

O saberes integradores são os relacionados ao ensino dos conteúdos esco­lares e são provenientes das pesquisas relacionadas na área de ensino do conteúdo específico. Estas pesquisas têm tido um enorme crescimento nos últimos anos, internacional e nacionalmente, refletindo todo um esforço, em termos brasileiros, na produção desses conhecimentos que em sua maior parte são desenvolvidos nos cursos de Pós-Graduação por professores ou ex-professores dos ensinos Fundamental e Médio interessados em entender como se ensina e se aprende um determinado conteúdo e em detectar os principais problemas enfrentados na formação de professores criativos para essas áreas.

Essas pesquisas têm sido apresentadas c discutidas nos Encontros e Simpósios sobre o ensino das áreas específicas, como, por exemplo, os Encontros de Pesquisa em Ensino de Física, os Encontros de Pesquisadores de Ensino de Ciências, os Encontros de Ensino de Matemática, os Encontros de Pesquisa de Ensino  de Historia, os Encontros Nacionais de Ensino de Geografia, as reuniões: Perspectivas do Ensino de Biologia, também dentro das reuniões das sociedades científicas como nas Reuniões da Sociedade Brasileira de Química e nas da Associação Nacional de Professores de Historia (ANPH U).

Um dos resultados significativos provenientes das pesquisas em formação de professores é o que indica que um dos obstáculos para o professor adotar uma atividade docente inovadora e criativa, além da já discutida falha no domínio do conteúdo, são suas idéias sobre ensino e aprendizagem, ou seja, "... as idéias docentes de senso comum" (Carvalho e Gil, 1993). Essas pesquisas mostram que os professores têm idéias, atitudes e comportamentos sobre o ensino, formados durante o período em que foram alunos, adquiridos de forma não-reflexiva, como algo natural, óbvio, escapando, assim, à crítica e se transformando em um verdadeiro obstáculo para uma mudança didática.

É necessário colocar problemas, questões, ou seja, atividades desequilibradoras, para que os professores tomem consciência da importância que esses aspectos tem no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem do conteúdo.

Costumamos desenvolver com professores, em nossos cursos de formação inicial ou em serviço, uma atividade em que buscamos sensibilizá-los para o fato da aridez e da não-significação, para os alunos, dos conteúdos tradicionalmente apresentados nos cursos médios. Propomos a esses professores (ou graduandos) entrevistarem cinco profissionais liberais em cujos respectivos cursos de graduações não constam a disciplina enfocada na pesquisa; desse modo, a ultima vez que o entrevistado estudou esse conteúdo foi realmente no curso médio. Escolhemos profissionais liberais porque esses passaram por um vestibular, o que já pode ser visto como uma avaliação do seu ensino médio. A entrevista tem uma questão fundamental: "... o que você lembra da 'física' que lhe foi ensinada no curso médio"? A partir da resposta a essa questão, outras vão sendo formuladas para avaliarmos o conhecimento adquirido nesse período.

() resultado que costumamos obter é muito desestruturador. Os entrevistados, em sua grande maioria - mais de 70 % de nossa amostra -, não lembram de nada do que estudaram no curso médio ou lembram somente dos nomes dos principais tópicos estudados - por exemplo: lembram que estudaram dinâmica, óptica, eletricidade e mais nada. O restante lembra de maneira muito geral do conteúdo que lhe foi apre­sentado, não podendo, entretanto, explicar nenhum dos conceitos-chave. Nessa mes­ma entrevista, procuramos caracterizar o papel do professor e encontramos sujeitos que gostaram muito de seus professores e que achavam que eles tinham lhes ensinado muito bem, mas, mesmo nesses casos, eles não conseguiam lembrar os principais conceitos do conteúdo estudado.

A discussão dos resultados obtidos nas entrevistas leva a uma crítica fun­damentada em relação ao como o conteúdo é tradicionalmente desenvolvido nas escolas. Voltamos a questionar esse ensino em que o contendo é transmitido de uma forma dogmática e a relacionar o conteúdo dominado pelo professor com o conteúdo escolar por ele ensinado.

Iniciamos, então, um questionamento sobre a forma como tradicionalmente são introduzidos os conceitos, os trabalhos práticos e os problemas. Levantamos as questões das relações do ensino do conteúdo com os aspectos históricos e sociais e, principalmente, a questão de que o conteúdo escolar, proposto aos nossos jovens, não pode se reduzir a uma coleção de fatos, conceitos, leis e teorias como tradicionalmente são apresentadas aos alunos, Dessa maneira, na melhor das hipóteses, o que realmente permanece com os alunos, no final da escola média, é uma visão reducionista e neutra do que seja produção de conhecimento pela humanidade (Gil, 1993).

Na verdade, o professor precisa saber analisar criticamente o ensino tradicional, sendo que essa análise não é fácil, pois requer uma ruptura da visão da docência recebida ate o momento. Várias atividades na formação do professor devem ser direcionadas para esse fim e aqui aparece de modo bastante forte: a relação entre a teoria e a prática, entre o saber e o saber fazer. Os professores não só deverão saber analisar criticamente o ensino tradicional como também fazer atividades renovadoras. Isto obriga que estas propostas sejam vividas e vistas em ação, por exemplo, videogravadas  (Carvalho, 1999).             

Outro foco das pesquisas em ensino, que tem produzido resultados solidamente estabelecidos, é o que mostra a existência de concepções espontâneas difíceis de serem substituídas, durante o ensino, por conhecimento científico. Estas pesquisas tiveram grande desenvolvimento na área do ensino de Física, tendo já aparecido na literatura dirigida aos professores, livros e artigos, sistematizando os resultados obtidos e mostrando as principais  concepções espontâneas encontradas nos conteúdos ensinados nas escolas fundamental e média. (Driver, Guesnes e Tiberghien, 1985; Scott, Asoko, Driver, 1998).

Essa linha de pesquisa estendeu-se, primeiramente, para as áreas de investigação em ensino de Química, onde também já encontramos trabalhos de revisão de literatura sobre esse tópico. Na área de pesquisa em ensino de Geografia, muitas investigações foram realizadas no Brasil, como, por exemplo, a que estuda como é feita a leitura dos mapas pelas crianças (Oliveira, 1977 e Cecchet, 1982) e a que procura descobrir como as crianças constroem as noções de latitude e longitude (Góes, 1983), Também no ensino de Cartografia, várias pesquisas foram feitas visando entender o pensamento dos alunos (Paganelli, 1987; Simielli, 1996; Castelar,  1996).

Na área de ensino de línguas, no nosso caso o ensino de Português, esse mesmo objetivo de pesquisa - conhecer como os alunos pensam os conceitos fundamentais do conteúdo a ser ensinado na escola - também teve um grande desenvolvimento apesar de ter base teórica diferente. Aqui, a produção desse conhecimento sofreu maior influência dos trabalhos sobre a psicogênese da língua escrita desenvolvidos por Ferreira e Teberosky (1985).

Mas, quaisquer que sejam os representantes teóricos que deram origem a essas pesquisas, o professor precisa conhecer os seus resultados, ou seja, saber da existência das concepções espontâneas ao planejar o seu ensino e ter consciência de que seus alunos chegam às aulas com conhecimentos empíricos já constituídos e, portanto, não são uma "tábula rasa". Eles vão sempre compreender a proposta de ensino do professor a partir de seus esquemas conceituais prévios.

As pesquisas em concepções espontâneas deram origem a uma nova linha de investigação, que procura determinar as condições de ensino e de aprendizagem para se obter uma mudança ou uma evolução conceitual (Silva, 1989; Teixeira, 1983; Mortmimer, 1994; Barros, 1996). Essas propostas de ensino partem de um referencial construtivista, isto é, orientam a aprendizagem dos alunos como uma (re)construção de conhecimento a partir de seus conceitos iniciais, mas que vão evoluindo para os conceitos científicos através de atividades de ensino nas quais situações problemáticas de interesse dos alunos são colocadas e a metodologia da produção do conhecimento é respeitada. Como afirmam Driver e Oldham ( 1986), talvez a mais importante implicação do modelo construtivista seja "conceber o currículo não como um conjunto de conhecimentos e habilidades, mas como um programa de atividades através das quais esses conhecimentos e habilidades possam ser construídos e adquiridos."

Dentro dessa perspectiva, o professor precisa saber preparar um programa de atividades que leve seus alunos a construir os conhecimentos, habilidades e atitudes do conteúdo que se propõe a ensinar (Gil et al., 1999;Carvalho et al., 1998).

Se a relação teoria – prática é importante na construção do conteúdo específico, essa mesma relação torna-se imprescindível em relação ao domínio dos saberes integradores. Agora, a prática se dá na escola, nos estágios dos cursos de graduação, onde os professores vão procurar estabelecer um vínculo bastante forte entre o saber e o saber fazer.

É preciso que os professores saibam acerca dos conceitos espontâneos, mas é preciso também que eles saibam fazer, através de questões problematizadoras bem formuladas, com que os alunos explicitem suas concepções espontâneas e que essas apareçam com um status de hipótese a serem testadas e não como um confronto entre a idéia pessoal do aluno e a idéia científica.

É preciso que os professores saibam construir atividades inovadoras que levem os alunos a evoluírem, nos seus conceitos, habilidades e atitudes, mas é necessário também que eles saibam dirigir os trabalhos dos alunos para que estes realmente alcancem os objetivos propostos. É importante o envolvimento dos participantes em atividades de ensino que sejam problemáticas para os alunos a que se destinam. Tais atividades, além de possibilitar a vivência de propostas pedagógicas inovadoras, fazem com que os professores se interem dos detalhes e dificuldades que essas propostas colocam. () saber fazer nesses casos é muitas vezes, bem mais difícil do que o fazer (planejar a atividade) e merece todo um trabalho de assistência e análise crítica dessas aulas (Carvalho, 1996). Este saber fazer, que quase sempre se dá nos estágios supervisionados nas escolas fundamental e média, precisa ser pensado como um laboratório onde os professores vão testar suas hipó­teses de ensino, onde a relação teoria-prática deve estar sempre presente. Todos os conceitos de "reflexão na ação" e "reflexão sobre a ação" (Schon, 1992; Zeichner, 1993) podem e devem ser estimulados durante os estádios.

Outra linha de pesquisa proveniente dos estudos sobre mudança conceitual é aquela que investiga as discussões em sala de aula: dos alunos entre si e dos alunos com o professor (Mortimer e Machado, 1997; Mortimer, 1998; Scott, 1997). O professor tem uma linguagem própria, que é a das ciências ensinadas na escola, construídas e validadas socialmente; uma das funções da escola é fazer com que os alunos se introduzam nessa nova linguagem, apreciando sua importância para dar novo sentido às coisas que acontecem ao seu redor, entrando em um mundo sim­bólico que representa o mundo real (Driver e Newton, 1997).

Para que ocorra uma mudança na linguagem dos alunos - de uma lingua­gem cotidiana para uma cientifica -, os professores precisam dar oportunidade aos estudantes de exporem suas idéias sobre os fenômenos estudados, num ambiente encorajador, para que eles adquiram segurança e envolvimento com as práticas científicas. É, portanto, necessária a criação de um espaço para a fala dos alunos nas aulas. Através da fala, além de poder tomar consciência de suas próprias idéi­as, o aluno também tem a oportunidade de poder ensaiar o uso de um novo gênero discursivo, que carrega consigo características da cultura científica (Capecchi e Carvalho, 2000).

O professor precisa saber que aprender é também apoderar-se de um novo gênero discursivo, o gênero científico escolar; para isso, ele precisa saber fazer com que seus alunos aprendam a argumentar, isto é, que eles sejam capazes de reconhecer as afirmações contraditórias, as evidências que dão ou não suporte às afirmações, além da capacidade de integração dos méritos de uma afirmação. Este ambiente é propício para que os alunos passem a refletir sobre seus pensamentos, aprendendo a reformulá-los através da contribuição dos colegas, mediando confli­tos através do diálogo e tomando decisões coletivas.

Temos que assinalar, por último, sem querer ser exaustivo, que os professores precisam também, para ser um bom profissional, dominar os saberes pedagógicos.

6.3 Saberes Pedagógicos

Os saberes pedagógicos abrangem um espectro bastante amplo.  Alguns estão relacionados ao ensino dos conteúdos escolares, mas são provenientes de pesquisas nos campos da Didática Geral  e da Psicologia da Aprendizagem e intimamente relacionados com os acontecimentos dentro da sala de aula, influenciando diretamente o ensino e a aprendizagem de todos os conteúdos. Para vários autores, esses saberes pedagógicos podem ser pensados como saberes integradores, pois aparecem frequentemente nas pesquisas sobre ensino e aprendizagem nas áreas dos conteúdos específicos. Como exemplo, podemos citar: o saber avaliar, o compreender as interações professor-aluno, o conhecer o caráter social da construção do conhecimento, etc.

Outros saberes vêm das pesquisas que estudam a escola e o ambiente escolar de maneira mais ampla, os professores e os problemas de sua profissionalização, mas cujos fatores influenciam professores e alunos, ensino e aprendizagem. São as pesquisas que estudam, por exemplo, a violência na escola, o ambiente das organizações escolares favorecendo ou dificultando o trabalho desenvolvido em sala de aula, o clima generalizado de frustração associado às atividades docentes, suas expectativas como profissional e em relação aos alunos.

Não vamos, neste capitulo, nos aprofundar nos saberes pedagógicos, pois eles estão sendo apresentados e discutidos com uma profundidade muito maior do que poderíamos aqui apresentar em vários outros textos desse livro.

O que temos que acrescentar é que o professor precisa também construir o saber fazer em relação a esses saberes e que o locus para obtenção de dados que potencializam a relação teoria- prática é, ainda, a escola. Atividades de estágio direcionadas para essa análise crítica da escola e de seu ambiente devem fazer parte da ação de todos os professores.

              Vamos apresentar, como exemplo para discussão, uma aula que transcrevemos de um curso de Física dado para uma escola estadual na cidade de São Paulo (2ª série do curso médio). A necessária preparação da aula, os diálogos dos alunos e do professor permitem uma reflexão sobre os saberes do professor para alcançar os objetivos didáticos de uma proposta inovadora.

6.4   Um Exemplo: Atividade onde Discutimos Ciência,

Tecnologia e Sociedade em uma Aula sobre Telescópio e onde Apresentamos os Saberes do Professor e o seu Saber Fazer

Nas propostas atuais de ensino de ciências, em que se pretende levar os alunos a construir o seu conhecimento através de uma integração harmônica entre os conteúdos específicos e os processos de produção desse mesmo conteúdo; a introdução de atividades que discutam os problemas de Ciência, Tecnologia e So­ciedade (C/T/S) tem um fator de destaque (Carvalho e Vannucchi, 1999).

Elaboramos esta atividade com a intenção de verificar como os estudantes discutem sobre Ciência quando lhes é proposto um tema controverso, no caso, as redações entre Ciência c Tecnologia, com base no episódio do aperfeiçoamento da luneta por Galileu Gal i lei, no século X VII.             

Enquanto o senso comum atribui relação causal entre desenvolvimento científico e tecnológico, sendo a Ciência considerada matriz da Tecnologia (Díaz, 1995), no episódio da luneta esse modelo não apenas não se aplica, mas trata exatamente do contrário: embora Galileu tenha aperfeiçoado a luneta a ponto de permitir a realização de observações astronômicas que determinaram uma nova etapa para a Astronomia, a Ciência da época não explicava por que e como funcionava aquele aparato.

Embora Galileu tenha transformado a luneta débil em poderoso instrumen­to de pesquisa, ele o fez por ter sido o primeiro a polir lentes objetivas de longo alcance com qualidade suficientemente boa (Cohen, 1992), o que indica que, se uma relação causal foi estabelecida para este episódio, o instrumento tecnológico terá permitido novas possibilidades à Ciência.

Na elaboração da atividade de ensino foi selecionado um diálogo, escrito por Stillman Drake (1983), travado entre contemporâneos imaginários de Galileu sobre o episódio do aperfeiçoamento da luneta.

A atividade foi proposta para turmas de segundo ano colegial de uma escola pública de São Paulo, Brasil. As aulas foram filmadas em vídeo e transcritas. Em uma primeira aula, os alunos leram o texto e discutiram as questões colocadas ao final, em grupos de 4 a 5 pessoas. Vamos apresentar alguns momentos da aula seguinte, quando o professor abriu a discussão para toda a classe, a fim de analisarmos essas seqüências da aula (esses dados foram retirados de Vannucchi, 1996).

 

Referência:

CARVALHO, ANA. M. P. de, Daniel Gil Perez. O saber e o saber fazer dos professores. In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. P. de (org.) Ensinar a Ensinar - Didática para a Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira, 2001, pp. 107-121.

 

 

 


segunda-feira, 29 de março de 2010

Professor_profissão de risco

TEXTO 3

 

Professor/a: profissão de risco? 

 

O magistério foi considerado durante muito tempo como uma profissão muito valorizada socialmente, de prestígio e reconhecimento pelo seu potencial humanizador e seu compromisso com a formação para a cidadania. Em geral, esta valorização não era acompanhada de condições de trabalho muito favoráveis. O salário dos professores e professoras era módico e os estímulos para o desenvolvimento profissional escassos. No entanto, isto não impedia que o magistério fosse visto e vivido como uma profissão que valia a pena por sua importância ia intelectual, ética e social.

Esta não é a situarão que vemos hoje. Junto às condições de trabalho precárias que a grande maioria dos/as professores/as vive, é possível detectar um crescente mal-estar entre os profissionais da educação. Insegurança, stress, angustia parecem cada vez mais acompanhar o dia a dia dos docentes. Sua autoridade intelectual e preparação profissional é freqüentemente questionada. As múltiplas manifestações de indisciplina e violência no cotidiano escolar se intensificam. As pressões sociais se fazem cada vez mais fortes e as escolas públicas e privadas, não conseguem responder adequadamente às novas demandas. O impacto das tecnologias da informação e da comunicação sobre os processos de ensino aprendizagem obrigam a buscar novas estratégias pedagógicas. Os sujeitos da educação, crianças e adolescentes, apresentam configurações identitárias e subjetividades fluidas que escapam à compreensão dos educadores/as. Diante deste quadro muitos/as evadem da profissão e procuram caminhos mais tranqüilos e seguros ele exercício profissional.

Ser professor/a hoje vem se transformando em uma atividade de risco, que desafia nossa resistência, saúde e equilíbrio emocional, capacidade de enfrentar, a cada dia, conflitos e construir experiências pedagógicas significativas.

 

5.1-Entre saberes e culturas: o que ensinar?

 

Esta pergunta é na atualidade extremamente desafiadora para nós, professores e professoras. A identidade docente tem estado fortemente ancorada, especialmente a partir do segundo segmento do ensino fundamental, no domínio de um conhecimento específico, do qual o/a professor/a é considerado/a especialista. A posse deste chamado "conteúdo” não é colocado em questão. Este saber, oriundo do campo científico de referência, dá ao docente segurança e convicção de que possui um patrimônio, que lhe é próprio, que lhe corresponde socializar. Este conhecimento foi adquirido ao longo de vários anos de ­formação universitária, e pertence aos "iniciados” em cada área específica do conhecimento considerado científico. Por outro lado, existem bons livros didáticos que "pedagogizam” e transpõem estes “conteúdos” aos diferentes níveis de ensino. Confiantes no nosso saber, formação e nos materiais de apoio selecionados, podemos desenvolver com tranquilidade e competência nossa atividade docente diária.

Esta era a visão dominante, mas a reflexão pedagógica em geral e, mais especificamente, a teoria curricular, nos últimos anos vem questionando fortemente esta concepção do conhecimento escolar. Este passa a ser concebido como uma construção específica do contexto educacional, em que o cruzamento entre diferentes saberes, cotidianos e/ou sociais e científicos, referenciados a universos culturais plurais, se dá no dia a dia das escolas em processos de diálogo e confronto, permeados por relações de poder. O conhecimento escolar não é um “dado” inquestionável e “neutro”, a partir do qual nós, professores/as configuramos nosso ensino. Trata-se de uma construção permeada por relações sociais e culturais, processos complexos de transposição/recontextualização didática e dinâmicas que têm de ser ressignificadas continuamente.

O que ensinar? Como favorecer aprendizagens significativas? Estas perguntas, mais ou menos óbvias e tranquilas em outros tempos passam, hoje, a ser questões desestabilizadoras e instigantes, que admitem respostas múltiplas, segundo as concepções epistemológicas e educativas que informem nossas práticas cotidianas.

 

5.2- Nossos alunos e alunas: identidades plurais e fluidas que nos escapam a cada momento?

 

Outra questão que informa a prática docente diz respeito à caracterização de nossos alunos e alunas. Durante muito tempo nos pautamos em nosso dia a dia por uma visão do que se convencionou chamar de "aluno médio”, certamente uma abstração, mas que constituía uma referência para a docência. De onde veio esta construção? Acredito que se possa afirmar que está baseada numa simplificação de textos de psicologia do desenvolvimento e de psicologia da educação, em que são apresentadas as principais características de diferentes etapas da vida, no nosso caso das fases da infância, da pré-adolescência e da adolescência. Muitas vezes trata-se de elementos que favorecem uma visão homogeneizadora, que tendem a descrever de modo uniforme os/as "alunos/as”. Tendemos a assumir esta visão uniforme destes personagens e a adequar nosso ensino a esta visão.

Basta entrar em uma sala de aula do ensino fundamental com um olhar sensível às diferenças para que se evidencie a inadequação desta perspectiva. As crianças e adolescentes "explodem” este modo de encará-los. Apresentam formas de expressar-se, comportar-se, situar-se diante de distintas situações que questionam nossas formas habituais, socialmente construídas, de lidar com elas. Diferenças de gênero, físico-sensoriais, étnicas, religiosas, de contextos sociais de referência, de orientação sexual, entre outras, se visibilizam e expressam nos cenários escolares.

Nós educadores e educadoras nos manifestamos muitas vezes desconcertados com nossos alunos e alunas, diante desta explosão das diferenças. Tendemos, com frequência, a encará-la negativamente, “já não se fazem alunos como antigamente"..., afirmamos explícita ou implicitamente. Os/as alunos/as estão exigindo de nós, educadores/as, novas formas de reconhecimento de suas alteridades, de atuar, negociar, dialogar, propor e criar. Estamos desafiados a superar uma visão padronizadora, assim como um olhar impregnado por um juízo, em geral, negativo de suas manifestações. Trata-se de abrir espaços que nos permitam compreender estas novas configurações identitárias, plurais e fluidas, presentes nas nossas escolas e na nossa sociedade.

 

5.3-Entre o "quadro-negro/verde/branco" e as tecnologias da informação e comunicação: que dinâmica construir na sala de aula?

 

Outro aspecto desestabilizador da prática docente diz respeito às estratégias didáticas privilegiadas na sala de aula. O ensino frontal tem sido a perspectiva dominante nas nossas escolas. Basta entrar em um estabelecimento de ensino que o reconhecemos pela organização espacial das salas de aula. O chamado "quadro-negro, verde ou branco” em uma das paredes, as carteiras enfileiradas diante dele, indicando que todos devem olhar para aquele personagem, nós, professores/as, que, em alguns instantes entraremos para "dar a sua aula”. Certamente esta descrição é caricatural. Nos primeiros anos do ensino fundamental já está sendo superada. No entanto, na segunda etapa do ensino fundamental e no ensino médio, afirmo, sem duvidar, ainda impera na grande maioria das escolas. Certamente de modo matizado em muitas situações, com maior frequência de exposições dialogadas, alguns trabalhos em grupo, utilização de filmes, apresentações em powerpoint e utilização de outras mídias que "modernizam” mas não rompem com o chamado ensino frontal.

É importante ressaltar que, em algumas escolas, já se está trabalhando em uma perspectiva diferente, que se pode chamar de “sala de aula ampliada” (Koff, 2008). Nela os diferentes espaços escolares - corredores, pátio, biblioteca, laboratório de informática, etc. – e mesmo espaços fora da escola - ruas, museus, fábricas, empresas, jardins, parques, shoppings, etc. – são concebidos como "salas de aula”, na medida em que podem propiciar processos de aprendizagem e ensino, tanto de professores/as, quanto de alunos/as.

A familiaridade das crianças e adolescentes com as TICs é cada vez maior. Os alunos e alunas manifestam intimidade com este mundo, “navegam” com autonomia e, muitas vezes, nos ensinam, pois nós, professores/as - pelo menos os que possuímos mais anos de magistério -, em geral, nos metemos no mundo das TICs mais lentamente. Esta é uma realidade que vem se impondo cada vez mais. Como integrar de modo consistente as TICs nos processos de ensino aprendizagem? Como utilizá-las na perspectiva de favorecer processos de  construção de conhecimento, análise e reflexão críticas? Como operar com as múltiplas possibilidades que as TICs oferecem a partir de uma visão reflexiva e crítica de sua utilização, tanto no meio escolar, corno na sociedade em geral?

 

5.4- Que significa cidadania em sociedades marcadas pelo individualismo e a cultura do consumo? Qual o papel da escola nesta perspectiva?

 

Entre os objetivos das escolas, um dos considerados básicos, constitutivos da própria configuração da instituição escolar, é a formação para a cidadania. Mas, o que quer dizer esta expressão hoje? Ainda tem sentido afirmá-la? Cidadania, em geral, é uma categoria relacionada com a consciência de pertença a um estado-nação. Serviu historicamente, me atreveria a afirmar, para negar e/ou silenciar as diferenças: “Somos todos brasileiros” é uma expressão muitas vezes utilizada para superar conflitos e não reconhecer desigualdades e discriminações.

Vivemos em tempos de globalização que, para vários analistas, é um fenômeno pluridimensional que fragiliza os chamados estados-nação. Por outro lado, nas sociedades complexas, marcadas por políticas neoliberais e pela centralidade do consumo e do individualismo, a cidadania é muitas vezes orientada para a formação de consumidores.

Neste contexto, problematizar a questão da cidadania constitui um desafio importante para nós, educadores e educadoras. De que cidadania falamos? Que cidadania queremos ajudar a construir? Como ressignificar este conceito que está relacionado com a dimensão pública, sociopolítica e coletiva da vida? Como favorecer unia cidadania diferenciada, que procura articular igualdade e diferença' Muitas são hoje as experiências de voluntariado, os projetos promovidos por organizações não-governamentais e outros atores da sociedade civil que apontam nesta direção e, certamente, nós educadores/as também somos chamados a participar desta construção de redes de solidariedade e compromisso social.

 

Profissão de risco... Certamente  ser   professor/a, hoje, supõe assumir um processo de desnaturalização da profissão docente, do "ofício de professor/a”, e ressignificar saberes, práticas, atitudes e compromissos cotidianos orientados para a promoção de uma educação de qualidade social para todos/as. Mas, não é isto que permite humanizarmo-nos e humanizar, nos aprofundar nos dilemas do nosso tempo, dilatar horizontes, desafiar, criar? Não são estas as "marcas” da profissão docente?

 

 

Referência Bibliográfica:

 

CANDAU, Vera Maria. Professor/a: profissão de risco? In: CANDAU, V. M. (org.). Didática questões contemporâneas. Rio de Janeiro: Forma e ação, 2009.

 


Texto 2 Parte 1_A construção da didática numa perspectiva históri



TEXTO 2



terça-feira, 16 de março de 2010

Parte 2_A construção da didática numa perspectiva histórico críti







Parte 3_A construção da didática numa perspectiva histórico críti







Parte 4_A construção da didática numa perspectiva histórico críti







Parte 5_A construção da didática numa perspectiva histórico críti







Plano DIDATICA 2010

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Centro de Educação e Humanidades - Faculdade de Educação

Departamento de Estudos Aplicados ao Ensino

 

Disciplina: DIDÁTICA

Curso de Licenciatura                                                        Ano: 2010                                                        Carga Horária: 60 horas   

Professora: Marly de Abreu              

 

PLANO DA DISCIPLINA

 

EMENTA: Escola, ensino e Didática. A construção da identidade e do trabalho docente. O cotidiano da sala de aula: o multiculturalismo, a relação professor/aluno, as novas tecnologias educacionais e a questão da indisciplina. Planejamento, currículo e avaliação: diferentes planos de ensino.

 

 

1. OBJETIVOS

 

·           Refletir sobre a profissão do magistério considerando, na literatura educacional, aspectos relativos à formação, saberes e trajetórias profissionais.

·           Construir um saber teórico-prático através de reflexões e experiências sobre o trabalho docente, comprometido com a busca de uma educação transformadora.

·           Elaborar planos de ensino que possam contribuir para o processo de construção de práticas pedagógicas comprometidas com a qualidade do ensino.

 

2. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO                           

                                                                                                                                                                                                 

Unidade I -                            Escola, Ensino e Didática: fundamentação e visão histórica

1.1. Relação escola sociedade

1.2. Didática: um campo em definição

1.3. Didática e a formação de professores, numa perspectiva histórica

 

Unidade II -              Construção da identidade e trabalho do professor: formação e profissão

2.1. A construção da identidade docente: formação e experiência

2.2. Saber docente, saber plural

 

Unidade III -              O Cotidiano da sala de aula: desafios e possibilidades

3.1. A ação docente frente às diferenças

3.2. Multiculturalismo e formação docente

3.3. Relação pedagógica

3.4. O papel das novas tecnologias

3.5. Disciplina: uma questão de autoridade ou de autoritarismo?

 

Unidade IV -               Planejamento, Currículo e Avaliação

4.1. Planos de ensino e os seus elementos constitutivos

4.2. Currículo: disciplinaridade, interdisciplinaridade e transversalidade

4.3. Avaliação do processo ensino-aprendizagem

  

3. METODOLOGIA

 

As unidades de estudo serão desenvolvidas através de dinâmicas participativas, com tarefas individuais e em grupos interdisciplinares, enfatizando o debate:                                         

·           aulas expositivas, com participação dos alunos;

·           discussões a partir de textos de leitura prévia, integrando a experiência  dos alunos;

·           projeção e debates a respeito de filmes sobre  questões educacionais;

·           painéis/seminários de diferentes modalidades, com tarefas individuais e em grupos interdisciplinares.

 

4. AVALIAÇÃO

 

A avaliação dos alunos levará em consideração a frequência às aulas, a elaboração de trabalhos individuais, a participação individual nos trabalhos em grupos interdisciplinares a serem realizados em sala de aula e em domicílio. A nota final será resultado da pontuação dos trabalhos abaixo relacionados (critérios a serem estabelecidos junto com os alunos):

·           trabalhos individuais em sala de aula e/ou em domicílio;

·           seminários de diferentes modalidades sobre temas/textos específicos, previamente selecionados para cada grupo interdisciplinar, envolvendo a problematização do assunto, mediante a  elaboração de  uma dinâmica  que contribua para a participação da  turma no debate sobre o tema  e a  elaboração de uma síntese sobre a temática discutida;

·           elaboração de um  Plano de Aula, individualmente,

·           construção de um Plano de Unidade de uma disciplina, em grupo ou individualmente, a partir das temáticas dos Planos de Aula.

 

TEXTOS BÁSICOS

 

·           UNIDADE I

VEIGA, Ilma P. A. Didática: uma retrospectiva histórica. In: VEIGA, Ilma P. A. (Coord.). Repensando a Didática. Campinas, SP: Papirus, 1994, pp.25-40.

___________. A construção da didática numa perspectiva histórico-crítica de educação. In: OLIVEIRA, M. R. N. S. (org.). Didática: ruptura, compromisso e pesquisa. São Paulo: Papirus, 1993, pp.79-96.

 

·           UNIDADE II

CANDAU, Vera Maria. Professor/a: profissão de risco? In: CANDAU, V. M. (org.). Didática questões contemporâneas. Rio de Janeiro: Forma e ação, 2009.

CARVALHO, ANA. M. P. de, Daniel Gil Perez. O saber e o saber fazer dos professores. In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. P. de (org.) Ensinar a Ensinar - Didática para a Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira, 2001, pp.107-121.

MAGALHÃES, Rita de Cássia B. Paiva. Processos formativos e saberes docentes em tempos de inclusão: Apontamentos a partir de contribuições da Educação Especial. In: AGUIAR, Maria da Conceição C. de; MACHADO, Laêda B. da; MELO, Márcia Maria de Oliveira; SILVA, Ainda Maria M. (orgs.). Novas Subjetividades, Currículo, Docência e Questões Pedagógicas na Perspectiva da Inclusão Social. Recife: ENDIPE, 2006, pp. 357-369. 

 

·           UNIDADE III

CANEN, Ana. Sentidos e dilemas do multiculturalismo: desafios curriculares para o novo milênio. In: LOPES, Alice C. & MACEDO, Elizabeth (orgs.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002, pp.174-193

LIMA, Emília F. de. Multiculturalismo, ensino e formação de professores. In: SILVA, Aída Monteiro et alii (orgs.). Educação formal e não formal, processos formativos e saberes pedagógicos: desafios para a inclusão social. Recife, ENDIPE, 2006, pp. 263-281.

CHAMLIAN, Helena C. A disciplina: uma questão crucial na Didática. In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. P. de (org.). Ensinar a Ensinar - Didática para a Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira, 2001, pp.75-93.

CUNHA, Maria Isabel da. A relação professor-aluno. In: VEIGA, Ilma. Repensando a Didática. Campinas: Papirus, 1992, pp.145-157.

KENSKY, Vani M. Em direção a uma ação docente mediada pelas novas tecnologias. In: BARRETO, Raquel G. (org.). Tecnologias educacionais e educação a distância: avaliando políticas e práticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.

·           UNIDADE IV

GIL, Antônio Carlos. Como planejar o ensino. In GIL, Antônio Carlos. Didática do Ensino Superior. São Paulo: Atlas, 2006, pp. 94-108.

Sala de Aula – Técnicas de Dinamização de Grupos. Revista da ABT – Associação Brasileira de Tecnologia Educacional. Nº 6 – 1987, pp. 1-8.

AMARAL, Ana Lúcia. O trabalho de grupo: Como trabalhar com os “diferentes”. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro. (org.). Técnicas de Ensino: Novos Tempos, Novas Configurações. São Paulo: Papirus, 2ª edição, 2009, pp. 49-68. 

SANTOMÉ, Jurjo Torres. O conceito de interdisciplinaridade. In: SANTOMÉ, Jurgo T. trad. Cláudia Schilling. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed Ed., 1998. pp.62-80.

GALLO, Sílvio. Disciplinaridade e transversalidade. In: Linguagens, espaços e tempos no ensinar e aprender. Rio de Janeiro: DP&A, 2000, pp.165-180.

ESTEBAN, Maria Teresa. A avaliação no cotidiano escolar. In: ESTEBAN, Maria Teresa (org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

SALINAS, Dino. Instrumentos para avaliar. In: SALINAS, Dino. Prova Amanhã! Porto Alegre: Artmed, 2004.

 

BIBLIOGRAFIA

 

ANDRÉ, Marli E. D. & OLIVEIRA, M. R. Alternativas no ensino de Didática. Campinas: Papirus, 1997.

BARRETO, Raquel G. (org.). Tecnologias educacionais e educação a distância: avaliando políticas e práticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.

CANDAU, Vera M. (org.). Magistério: construção cotidiana. Petrópolis. Vozes, 1997.

___________.  (org.). Rumo a uma nova didática. Petrópolis: Vozes, 1988.

___________. (org.). Didática questões contemporâneas. Rio de Janeiro: Forma e ação, 2009.

CANEN, Ana. Formação de professores e diversidade cultural. In: Magistério: construção e cidadania. Petrópolis: Vozes, 1997, pp. 205-237.

CASTRO, Amélia D. de; CARVALHO, Ana Maria P. de (org.). Ensinar a Ensinar - Didática para a Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira, 2001.

ESTEBAN, Maria Teresa (org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP&A e SEPE/RJ, 1999.

____________ (org.). Escola, currículo e avaliação. São Paulo: Cortez, 2003. LOPES, Antonia O. Planejamento do ensino numa perspectiva crítica da educação. In: VEIGA, Ilma. Repensando a Didática. Campinas: Papirus, 1992, pp.41-52.

ESTEBAN, Maria Teresa, HOFFMANN, Jussara & Janssen, Felipe da S. Práticas avaliativas e aprendizagens significativas: em diferentes áreas do currículo. Porto Alegre: Mediação, 2003.

FAZENDA, Ivani. Práticas interdisciplinares na escola. São Paulo: Cortez, 1991.

____________ (org.). Didática e interdisciplinaridade. 6ª ed. São Paulo: Papirus, 2001.

FELDMAN, Daniel. Ajudar a ensinar: relações entre didática e ensino. (trad. Valério Campos) Porto Alegre: ARTMED, 2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

___________. Professora sim, tia não – cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho d’Agua, 1993.

___________. Pedagogia do Oprimido. 24ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1997.

GANDIN, Danilo. A Prática do Planejamento Participativo.  Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

ESTEBAN, Maria Teresa. A avaliação no cotidiano escolar. In: ESTEBAN, Maria Teresa (org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.

LOPES, A. C. & MACEDO, E. (orgs.). Disciplinas e integralização curricular: histórias e políticas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.

MACEDO Elizabeth & LOPES, Alice C. (orgs.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002.

MACHADO, Nilson. Epistemologia e Didática. São Paulo: Cortez, 1995.

MC LAREN, Peter. A vida nas escolas: uma introdução à pedagogia crítica nos fundamentos da educação. Porto Alegre: Artes médicas, 1997. Parte II.

MOREIRA, Antônio Flávio B. Currículo: políticas e práticas. Campinas: Papirus Editora, 1999.

MOREIRA, Antônio Flávio B. & MACEDO, Elizabeth. Currículo, práticas pedagógicas e identidades. Porto Alegre: Porto Ed, 2002.

OLIVEIRA, Maria Rita N. S. (org.). Didática: ruptura, compromisso e pesquisa. São Paulo: Papirus, 1993.

PATTO, Maria Helena. A produção do fracasso escolar: histórias de rebeldia e de submissão. São Paulo: Martins Fontes, 1992. 

PENIN, Sonia M. de S. A aula: espaço de conhecimento, lugar de cultura. São Paulo: Papirus, 1994.

PERRENOUD, Phillipe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: ARTMED, 1999.

SALINAS, Dino. Prova Amanhã! Porto Alegre: Artmed, 2004.

SANTOMÉ, Jurgo T. Globalização e Interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre, Artmed Ed., 1998.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade – uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

SOUZA, Clarilza Prado de. (Org.). Avaliação do rendimento escolar. Campinas, São Paulo: Campinas, 1995.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

VEIGA, Ilma P. A. (org.). Técnicas de ensino: por que não? São Paulo: Papirus, 1991.

___________. Didática: o ensino e suas relações. Campinas: Papirus Editora, 1996.

VEIGA, Ilma P. A. & CASTANHO, Maria Eugênia L. M. (orgs.). Pedagogia Universitária: a aula em foco. 4ª ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2006.